Bom dia!
[suspiro]
Voltar ao blog não tem sido fácil por estes dias. Um recém nascido requer muito cuidado, um recém nascido com refluxo requer ainda mais. Agora sim, percebo o porquê de já ter visto este tema ser levantado em tantos fóruns de maternidade. Por essa razão, temos andado mais activos pelo Instagram, por ser mais imediato.

O pequeno canguru está no comando e ora mama de 2h em 2h ora de 3h em 3h e em 20 dias engordou 1kg e chegou ao primeiro mes com 5.020kg! Um pequeno leitaozinho com refegos.

 Mas não me esqueci de quem é fiel a este cantinho e hoje tenho uma surpresa boa para vocês! 
Por ocasião do Dia da Mãe, que está quase a chegar e que este ano celebro [orgulhosamente] a dobrar, tenho também uma surpresa para as super mães que nos seguem aqui!

Porque todas as mães têm um colo único, um beijo único, um sorriso único e um cheiro único, tenho para oferecer em parceria com a Avon, 3 perfumes Eve Elegance!
Sofisticado, subtil e refinado, Eve Elegance [inspirado no carisma da actriz Eva Mendes] é uma fragância floral que reúne pétalas de jasmim, com rasgo de romã envolvido em madeira de âmbar. Um aroma gracioso para os dias amenos da nova estação.

Eis o que precisam fazer para ganhar:
1. Seguir o Instagram @raquelbabytime;
2. Seguir o Instagram Avon Portugal;
3. Identificar 3 mães no passatempo na publicacao do Facebook;
4. Preencher o formulário abaixo com os vossos dados:


As participações são válidas até às 23h59 de dia 1 de maio e as vencedoras serão apuradas via Random.org e anunciadas aqui no blog no dia 2 de maio. 

Boa sorte!

Finalmente consegui vir aqui ao blog para deixar o relato do parto. Já não me lembrava o quanto um recém nascido exige de nós. O tempo parece que encurta para tudo.

No final da gravidez pensei muito no parto e em qual seria a minha história desta vez. Uns dias acumulei bastante ansiedade, noutros em que estava mais calma desejava que acontecesse naquele momento de "falsa" tranquilidade. Falsa porque a verdade é que nisto da maternidade nunca estamos descansadas e até os termos nos braços e lhe contarmos os dedos todos. Existe sempre uma margem inevitável de insegurança e medo. Como quanto vamos andar de avião, há sempre um pensamento sobre a possibilidade da queda.  

Imaginei, mesmo sem querer pensar demasiado nisso, muitos cenários para o segundo parto. Todos eles sempre ligados ao meu parto anterior que foi muito difícil, levou muitas horas (36h com dores para chegar aos 4 dedos de dilatação) e deixou muitos fantasmas e dúvidas sobre um segundo bebé. O relato está aqui se quiserem ler. 

Ia mentalmente preparada para voltar a sofrer, pelo menos, tantas horas quanto um dia tem. Para mim o conceito de chegar à maternidade e ter o bebé no mesmo dia não existia. Do Duarte entrei a 19 de janeiro à noitinha e ele só nasceu dia 21 ao almoço. Foi exaustivo e doloroso. 

Imaginei, por isso, muitos cenários mas nunca o que vou relatar nas próximas linhas. A verdade é que no primeiro parto quase morri e neste renasci. No primeiro parto sofri dias e tive a vida por um fio no bloco, neste sofri minutos e nem sei se é justo chamar-lhe sofrimento. Foi tão bonito e fácil. Acho que a vida se encarregou de ajustar contas naturalmente e eu recebi este meu segundo bebé com todos os meus sentidos a funcionar e com a maior tranquilidade da vida. 

Já contei no Instagram que passei o dia de véspera com o Duarte. Quis ficar com ele naquele dia para me sentir mais acompanhada e ter a cabeça distraída e não tão focada no parto.  Fomos ao talho, ao dentista, almoçamos no Mac, fizemos compras no supermercado, não parei o dia todo mas porque me sentia bem e já estava convencida que ia passar as 40 semanas.


O Duarte nasceu a 21 de janeiro e já tinha dito muitas vezes que gostava que o mano nascesse a 21 de março. Eu desejava secretamente que isso acontecesse para fazer a graça ao mano mais velho mas por estar entregue à vontade da natureza e não ter sintomas nenhuns quanto mais a data se aproximava mais eu desacreditava. A verdade nesta gravidez é que perto do fim os sintomas de alerta e as contrações de treino que sempre me acompanharam desapareceram. A única coisa que sabia é que tinha o colo curto desde as 35 semanas e 3 dedos de dilatação desde as 38 semanas.


Durante o almoço no Mac o Duarte voltou a dizer "mãe eu gostava que o mano nascesse amanhã" e eu respondi "oh filho, a mamã acha que só por milagre".


O PARTO


Eram 2h50 quando acordei com a bolsa a rebentar. Soube logo o que era, apesar de no meu primeiro parto não ter acontecido. Acordei o Diogo e começamos a despachar-nos para sair de casa. Chamámos o familiar mais próximo para ficar com o Duarte que dormia tranquilamente. Tomei um bom duche, o Diogo também. Enchi o Duarte de beijinhos, num misto de receio das próximas horas e alegria por o desejo dele se estar a concretizar, pegámos nas malas e saímos. 

 [já estava no carro e ainda voltei atrás para ir buscar um pacote de leite, no primeiro parto passei fome e tive uma grande hipotensão, neste quis ir mais aconchegada] 
Cheguei ao Hospital Beatriz Ângelo pelas 04h ainda sem qualquer dor. O resto da bolsa rebentou no corredor a caminho da triagem. Eram 04h20 quando veio a primeira contração com dor, 04h24 quando veio a segunda, 04h26h a próxima (2m em 2m) e fui chamada para entrar.

  A primeira coisa que ouvi foi "não temos vaga para si, vai ter que ser transferida para o Hospital Santa Maria". 
Caiu-me tudo. Sabia que podia acontecer, mas a probabilidade era baixa. Bolas. 

Mesmo assim fui vista como manda o protocolo e já tinha 4 dedos de dilatação. Voltei à sala de urgência num misto de dores e incerteza para aguardar ser chamada pelo médico para tratarmos da transferência. 


As contrações mantinham-se de 2m em 2m e senti verdadeiramente que não íamos ter tempo de chegar a algum lado e que ele ia nascer na A8 ou no Eixo Norte-Sul dentro de uma ambulância e sem epidural. O tempo que no primeiro parto foi um obstáculo, neste parecia escapar-me pela mãos. Estava tudo a acontecer a um ritmo supersónico. 

Pelas 4h45 sou vista pelo médico de serviço e deu-se ma reviravolta. Já tinha 5 dedos de dilatação, quase 6, e oiço as palavras mágicas "você já não sai daqui, vamos ter que tirar alguém do bloco porque tem que entrar já". O Xavier vinha cheio de pressa e vontade, sem tempo para burocracias ou transferências hospitalares.

 
Mudei de roupa, assinei os termos de responsabilidade legais com todas as dores desta vida e fui para o bloco. Nem lhes posso chamar assinatura, deixei lá uns rascunhos pré-históricos. Assim que entrei no bloco, pedi para chamarem a anestesista para administrar a epidural que levei já no limite dos 8 dedos. Não fez o efeito imediato e completo que me fez no parto do Duarte mas senti a intensidade das dores a abrandar. Esperámos apenas pelos 10 minutos especáveis para a epidural fazer efeito para avançar enquanto o Diogo vinha ao meu encontro no bloco. Ele entrou e 5 minutos depois iniciou-se a fase de expulsão com a ajuda espetacular da enfermeira parteira Bruna. Das pessoas mais humanas com quem já me cruzei em contexto hospitalar, o meu enorme agradecimento por tudo. Às 6h20 o meu canguru estava cá fora e foi tudo maravilhoso.  


Desta vez senti as dores e assisti à expulsão, desta vez tive direito a bebé no colo, desta vez o pai cortou o cordão, desta vez beijei, senti e cheirei o meu filho acabado de nascer. Desta vez, não achei que ir ter um filho é sofrer horrores, desta vez, estive consciente de tudo, desta vez, renasci e fiz as pazes com a maternidade.


Desta vez, a mãe quase não teve tempo de levar epidural e o pai nem teve tempo de vestir a bata hospitalar. Desta vez tive apenas uma enfermeira parteira no bloco e não toda a equipa médica em alvoroço.  Desta vez, tive uma enfermeira parteira que teve o cuidado de me perguntar se preferia ser tratada por Mónica ou por Raquel. Desta vez, tive uma enfermeira parteira que quis deixar o cordão umbilical pulsar até ao fim, sem eu pedir nada. 


Desta vez não criei expectativas de nada e a a vida surpreendeu-me. Só quem já passou por um parto difícil e viu a vida por um fio sabe o poder de renascimento de um parto maravilha. 


Este pós-parto está a ser também bem mais fácil. A nível fisico só os Kgs extra me lembram que fui mamã à menos de um mês. Um pós parto 90% mais fácil que o primeiro. A quem ainda está à espera de ter bebé, só vos posso desejar um igual ou melhor. 

Sobre a segunda experiência no Hospital Beatriz Ângelo posso dizer que foi bem mais positiva e que fomos bem acompanhados nas 48h que lá estivemos. As condições dos quartos já sabia serem boas e dão tudo às mamãs (lençol de banho, pensos, cuecas, camisas de dormir, conselhos de amamentação, mantinha para os bebes, etc). Os bebés saiem já com a primeira vacina e com o rastreio auditivo feito. Deixo aqui um beijinho muito especial à enfermeira Nuria que deu o primeiro banho ao Xavier. 
Foram as melhores 2 horas da minha vida.
Renasci ali naquela maca onde acreditei morrer da primeira vez.  


Beijos desta mãe de dois, realizada e feliz!
 

Não há semana que passe sem ter mensagens vossas a perguntar onde se pode comprar o quadro que uso nas fotos. A história do meu é curiosa, não o comprei cá muito menos com o objetivo de fazer dele o meu companheiro do fotos da gravidez, embora seja o que parece.  

Estava a navegar pela Amazon à procura de um quadro para a cozinha que desse para colocar um statement divertido e dei de caras com ele. Achei a ideia gira para colocar menus e fiz a encomenda. Percebi que o comprei em 2a mão, ainda dentro da embalagem e veio da Amazon.es. O meu é da marca Oliver Bonas e fica um bem mais caro do que aqueles que agora se encontram por cà à venda, por isso não compensa. Poucas semanas depois de o ter recebido descubro a gravidez e resolvi fazer com ele a história da gravidez, inspirada em contas internacionais do Instagram. Foi um acaso. 

Respondendo à vossa questão, eis o guia de lojas onde já vi Letter Boards ou Letreiros, como lhe quiserem chamar, à venda:


Também há na loja Espaço Casa a 11€, com a moldura em madeira, mas não encontrei a imagem online.

Beijos,


1.
- Na primeira gravidez cada fome noturna e cada apetite extra é para saciar...e é giro ter fome disto ou daquilo!
- Na segunda gravidez fechamos a boca às fomes nocturnas, bebemos água para encher o bucho, adormecemos com fome e não é nada giro!

2.
- Na primeira gravidez engordamos 23kg porque comemos tudo o que nos apeteceu!
- Na segunda engordamos 23kg a controlar a dieta porque a PDI (P... da idade) e o metabolismo lento já não fazem milagres!

3.
E os enjoos? 
Na primeira gravidez até são fofinhos, fazem parte do momento mágico da vida e a coisa vai-se levando com calma.
Na segunda gravidez só temos vontade de entrar numa máquina do tempo para acelerar a passagem do primeiro trimestre enquanto nos enfiamos numa sala isolada a arrotar bem alto sem escandalizar ninguém! 

4.
- Na primeira gravidez as primeiras 12 semanas demoram a passar, mas instalamos apps, lambemos informação sobre bebés, fazemos likes em tudo quanto é página de roupinhas, gorros, carapins e trabalhos manuais e o tempo vai passando!

- Na segunda gravidez as primeiras 12 semanas equivalem a 40 semanas, o tempo fica mais lento do que nunca e quando anunciamos à família ainda nos faltam mais 40 semanas!



5.
- Na primeira gravidez preenchemos o livrinho de grávida que foi oferecido pelas amigas com todas as etapas e colamos todas as ecografias de cada trimestre para mais tarde recordar.
- Na segunda, as ecografias ficam na pasta que levamos sempre às consultas com a Obstetra, juntamente com o livro de grávida e todos os restantes exames


6.
- Na primeira gravidez devoramos informação sobre bebés, dicas para cólicas, amamentação, rotinas de sono e fazes um curso de preparação para o parto.
- Na segunda esperamos lembrar-nos do essencial e entregamos tudo ao instinto maternal.

7.
- Na primeira gravidez compramos uma chucha de cada marca "porque o filho de fulana não se dava com as das Nuk, mas adorava as da Chicco ou as da MAM e vice-versa".
- Na segunda gravidez esterilizamos e preparamos apenas as chuchas que foram oferecidas.

8. 
- Na primeira gravidez a escolha do carrinho é um dos pontos altos do "estado de graça", chega a ir a família toda ajudar no momento da escolha.
- Na segunda, temos a cria prestes a nascer e o esqueleto do Quinny Buzz ainda nem saiu da caixa na garagem onde está embalsamado desde 2014 para ver se tem, pelo menos, as rodas cheias".

9.
- Na primeira gravidez compramos uma banheira alta xpto com trocador e organizador para a higiene pessoal.
- Na segunda gravidez usamos a banheira do Ikea que compramos por 5.99€ para levar nas primeiras férias e que até agora serviu de cesto da roupa.

10. 
- Na primeira gravidez planeamos uma sessão de fotos new born com 4 meses de antecedência para não haver surpresas quando nascer.
- Na segunda olhamos para os preços e ficamos com os olhos em bico. Temos o miúdo à porta e ainda não decidimos nada!

11. 
- Na primeira gravidez compramos carapins, pantufinhas e gorros de todas as cores para o enxoval do bebé.
- Na segunda lavamos o que era do primeiro, guardamos os poucos em bom estado e mandamos a avó comprar uns azuis para darem com tudo. 

12. 
- Na primeira gravidez não temos medo do parto e idealizamos que é um dia com mais dores.
- Na segunda gravidez temos medo do parto porque já não vais às escuras!

13. 
- Na primeira gravidez compramos tudo e mais um par de botas para o enxoval e o dinheiro parece que se multiplica.
- Na segunda compramos só o essencial, achamos tudo caríssimo e o dinheiro não estica!

14.
- Na primeira gravidez temos gavetas cheias de roupinhas oferecidas.
- Na segunda vamos às compras porque como já tivemos um, ninguém oferece nada e temos que comprar o que falta.

15.
- Na primeira gravidez compramos 4 camisas de noite mais compostas para ir para a maternidade como mandam as regras, um roupão giro e uns chinelos de quarto e outros para usar no duche.
- Na segunda, reciclamos as que levamos da primeira vez, mesmo que já tenham passado de moda e levamos hawaianas todo-o-terreno porque já sabemos que os pés vão inchar como os da Miss Piggy e que para tomar duche são a melhor opção.  

16. 
- Na primeira gravidez idealizamos o parto e romantizamos o momento.
- Na segunda só queremos que aconteça e que seja o mais rápido possível.

Alguém se identifica?


Sinto-me uma bomba relógio e por isso ando a tentar despachar todas as [possíveis] tarefas futuras, entre elas, o presente para o Dia do Pai, que conseguimos preparar sorrateiramente durante o fim de semana. Nos momentos de maior desconforto até consigo sentir o tic tac a ecoar cá dentro e em de ficar quieta vou despachar mais qualquer coisa (quem se identifica?). 

Quem acompanha o blog sabe que gostamos muito de presentes personalizados e este Kit Sardinha Bordallo Pinheiro Made by You, que já vos tinha mostrado no post de sugestões de presentes, não ficou indiferente. É um presente que prima pelo inesperado [quem se lembra de dar uma sardinha a um pai?] e pela originalidade, pois foi decorada pelo Duarte, com ajuda aqui da mãe de serviço, e por isso não existe mais nenhuma igual. A nossa sardinha é exclusiva e marca um momento único de uma etapa de vida e crescimento do Duarte - os 5 anos! 

Achei por isso uma ideia super gira. É um presente que perdura no tempo, tatua uma memória e não serve apenas para ser armazenado numa gaveta, pois fica como objeto de decoração. Além disso, tem o cunho de qualidade da Bordallo Pinheiro, de que sou fã e sei que não estou sozinha nesta paixão pelas cerâmicas, não é meninas?

Este kit inclui uma sardinha Bordallo Pinheiro, 6 marcadores próprios para pintar cerâmica e instruções. É muito simples de personalizar e tem a vantagem de que podemos testar primeiro alguns desenhos antes de a concluir (para quem tem medo de deitar tudo a perder). Se começarmos a decorar e não sair bem basta passar álcool, limpar e voltar a pintar antes de a finalizar. Depois, basta deixar secar ao ar 15 minutos e levar ao forno durante 25 minutos a 160 graus. 

O Duarte treinou primeiro uma vez e depois concluímos-la. Confesso que gostei da forma trapalhona [fruto da idade] e espontânea com que fez as letras, umas maiores e outras menores, e já nem quis apagar nem alterar nada. É assim que ele escreve agora e foi assim que achei que este presente seria mais verdadeiro. Só inverti para pintar o olho e a boca, nada mais. Está clean e minimalista, mas passa a mensagem principal "puxar a brasa à sardinha do pai!!" ahahah estou a brincar, demonstrar carinho pelo seu herói (e sim, ele continua todo "paizeiro") com algo feito por ele. 

O kit está à venda aqui
  
Aqui fica a nossa, que já só falta embrulhar em papel kraft para oferecer no dia 19 de março!

Será que já vamos ter o Xavier cá fora? Que ansiedade!










    "O Pai + Fish"
Fica a ideia no ar :)

[um texto escrito por uma mãe ansiosa com relatos reais de mulheres ansiosas, para pessoas ansiosas e pessoas que vivem com pessoas ansiosas.]

A ANSIEDADE VISTA PELOS OUTROS: 

"Ela às vezes tem umas coisas, fica assim mais nervosa"
"Então e andas melhor daquilo que tens?"
"Então e não consegues controlar isso?"
"Mas isso é tudo psicológico não é?"
"Isso são coisas da tua cabeça, tens que tentar controlar"
"Ir passear não ajuda?"
"Uma rapariga nova e presa a isso"

A ANSIEDADE NA PRIMEIRA PESSOA:


A propósito do texto que escrevi sobre "Gerir a ansiedade com a chegada do parto" e de ter partilhado no Instagram o tema foram, infelizmente, muitas as histórias de ansiedade no feminino que me chegaram e não consigo ficar indiferente. Sobretudo aos muitos pedidos para "se puder fale mais sobre o tema, que sintomas tem e como a gere".
É curioso que com os anos descobri que também para mim a partilha tem um efeito efeito calmante. Por isso, hoje partilho alguns relatos, de forma anónima [por razões óbvias], para ajudar quem vive com este problema, e para também quem convive com pessoas com síndrome de Ansiedade se conseguir aproximar um pouco mais da realidade desta doença silenciosa, que é tudo menos um exagero da nossa cabeça. 
    
"Nunca tinha lido nada tão igual ao que sinto. Os sintomas, o medo de fazer as coisas mais normais, apesar de me achar bem informada achava que parte do que sinto era mesmo "criado" por mim".

"Obrigado por abordar o tema ansiedade (...) sofro da mesma há 3 anos. Para além de ansiedade sou um pouco, ou melhor, muito hipocondríaca. Padecer deste mal é um sofrimento constante...".

"(...) em segredo lhe confesso que o meu "não quero ser mãe" prende-se exatamente com a ansiedade" (...) eu não quero ser mãe porque há um medo chamado ansiedade".

"Agora que sou mãe voltaram (...) vou ter que voltar a pedir ajuda. A tristeza constante, uma espécie de alegria, a vontade de me coçar, a falta de auto-estima estão a dar cabo de mim, dos bons momentos com o meu filho e da relação com o meu marido...".
 
"A ansiedade afeta a qualidade do meu sono (...) não é fácil viver com este problema. Muitas vezes as pessoas mais próximas não entendem (...) por causa disso algumas já se afastaram. Deixei de frequentar determinados lugares porque ficava ansiosa".

"Sou o testemunho que a ansiedade faz-me não querer ter mais filhos! Tenho medo só de pensar nisso! Quando o meu filho adoece, também fico doente (...) qualquer problema para mim é o fim do mundo"

"É bom que sejamos muitas (a falar do tema) na sociedade em que vivemos eu às vezes tenho a sensação que sou a louca (...) porque infelizmente é um assunto muito pouco abordado...".

"Tive a pouca sorte de ter um ataque de pânico no inicio da gravidez que me fez estar internada 5 dias. Ninguém no hospital me soube diagnosticar além do meu marido. Fiz novamente 50 mil exames para despistar epilepsia..."

"Passei a gravidez com ataques de pânico (...) só quando me metia dentro de água passava (...) já engravidei mais vezes mas por causa da ansiedade acabo sempre por perder".

"Tive a primeira crise aos 15 anos, sofri tanto (...) ouvi tantas coisas que só pioravam mais o meu estado "isso são coisas da tua cabeça" (...) evitei tanta coisa naquela fase da minha vida (...) vivi tão pouco. Como gostava que tudo tivesse sido diferente! Também não tive nenhuma crise de ansiedade na gravidez nem no parto".

"Pode parecer parvo, mas a mim só o frio me acalmava (...) saia para a rua para apanhar um choque térmico".

"Um tema tão comum, mas nunca abordado. Há 2 meses tive um aborto devido à minha ansiedade. Toda a gente dizia para ter calma (...) é fácil falar para quem está de fora".

 Esta é a dura realidade das pessoas com ansiedade. Sem filtros, sem camuflagens e sem medo de julgamentos. Não estamos todas ao mesmo nível, percebi que a bola de neve para umas é ainda maior do que para outras. A própria ansiedade tem várias origens que podem influenciar a escala de sintomas, desde o stress pós traumático, às fobias, à perturbação do pânico (a que tenho com maior prevalência) até à ansiedade generalizada (o medo de tudo). E quem tem uma delas pode desenvolver as outras, ou seja, isto é um bicho muito muito feio e destrutivo que se alimenta do medo.

Uma coisa é a explicação médica outra são as vozes de quem batalha contra esta inimiga invisível. Muitas vezes o que acontece com quem convive com pessoas com ansiedade é que no início dão muita importância e ajudam e com a continuidade dos sintomas, que se prolongam por meses, anos, uma vida...não se sabe... começam a desvalorizar "lá está ela outra vez com aquelas coisas". Sei que não é fácil para nenhum dos lados. Mas a ajuda e a compreensão são pilares fundamentais. Sempre que possível, não desprezem a ansiedade.  
COMO DISTINGUIR OS TIPOS DE ANSIEDADE? 

Stress pós-traumático: a pessoa revive um acontecimento mau repetidamente. Acontece muito com os veteranos de guerra, tenho um familiar assim.

Fobias sociais: quando existe um receio persistente de ser avaliado pelos outros ou ter um comportamento que envergonhe.

Perturbação do pânico: perde-se o controlo sem um fator que o desencadeie (a minha).

Ansiedade generalizada: uma preocupação excessiva e incontrolável sobre tudo.

Para mim, as duas últimas são as mais difíceis de diagnosticar e resolver, porque não existe um motivo, não há um gatilho, um ponto de partida para se perceber a origem, são precisos anos. 
A MINHA EXPERIÊNCIA COM A ANSIEDADE: 

Tive o primeiro ataque de pânico aos 20 anos. Num dia perfeitamente normal, durante as férias de verão. Andava às compras com a minha mãe, há melhor programa feminino do que ir aos saldos? Estava tudo bem, até que, subitamente no meio da rua comecei a sentir-me desorientada, enfraquecida e com o coração acelerado. Senti medo. Um medo enorme. O que era aquilo? Um AVC aos 20 anos? Uma valente quebra de tensão? Um desmaio? Um aneurisma? Claro que não me passaram todas estas hipóteses pela cabeça no local. No momento, com a confusão mental com que fiquei entrei de imediato na farmácia para medir a tensão (que estava otima) e a seguir fui a um café comer um doce a acreditar que o motivo seria fraqueza. Fiquei sem energia para o resto do dia e aquela sensação de vazio, medo e alienação da realidade que tinha sentido não me saiam da cabeça. Comecei à procura de explicações. Tinha que haver uma explicação médica para aquilo. 

[Nota: a quem nos diz repetidamente que algo a deve ter desencadeado, digo-vos eu também, estão redondamente enganados. Ela chega sem aviso prévio, sem motivo e não se controla. Até pode estar relacionada com algo que tenha acontecido na nossa vida e não necessariamente nos 5 minutos prévios].

Nessa noite, os sintomas voltaram quando me deitei. Era impossível dormir e conseguia sentir o coração a bater contra o colchão, como se estivesse a sair pelas costas. Juntou-se uma dor no braço e um sufoco na garganta, como se fosse uma falta de ar ou um ataque de asma. Sai para a rua. Nada acalmava aquele medo sem explicação. Cheguei a dizer aos meus pais que ia morrer, que aquilo só podia ser um problema de saúde. E... cada vez que pensava mais no problema, mas alimentava o medo. E mais forças, sem saber, lhe dava.
Foi no hospital de Peniche que ouvi pela primeira vez a palavra "ataque de pânico". E as recomendações foram do mais básico que há "vá passear, apanhar ar, namorar", "se precisar tome um Valdispert". Como se se tratasse de uma coisa banal, como uma simples dor de cabeça. Valdispert tomava eu para as frequências na Faculdade.
 
Aqui entre nós, eu não sou moça de tomar muitos medicamentos, mas Valdispert para a ansiedade é como Ben-u-ron para uma cólica renal.
 
No dia a seguir voltava ao hospital de ambulância, os sintomas tinham voltado e bem piores. Em suores e com o coração a mil. Depois de vários exames de desiste, deram-me Diazepan, uma daquelas bombas tranquilizantes que nos deixa K.O durante umas horas mas que de nada serve: quando passa o efeito, voltam os sintomas. Porque a Ansiedade é assim, auto alimenta-se, quanto mais medo mais ansiedade, quanto mais estímulos lhe damos mais forte ela fica.
Começou nesse verão a minha batalha para voltar a ser uma pessoa livre. Hoje, com 33 anos ainda não o sou, mas já a consigo fintar com muito mais forças.
 
Em Lisboa, no Hospital Santa Maria, onde fui parar novamente com taquicardia, procurei ajuda médica e iniciei um tratamento de dois anos com medicação. Após esse período estive 7 anos sem precisar de tomar nada e sem a ansiedade dominar os meus dias - era eu que comandava. Depois veio a maternidade e tudo mudou. A gravidez foi tranquila, como se as hormonas criassem um escudo anti-ansiedade.  Era um dos meus maiores medos, não conseguir gerar um bebé ou abortar devido à ansiedade, e isto para uma mulher a caminho do primeiro filho tem um peso gigante. O medo de falhar, o medo de não conseguir realizar o sonho, o medo de desiludir o marido. Mas consegui. Muito graças ao estado de paz com que surpreendentemente a gravidez me deixou e o mesmo já me relataram outras mulheres que sofrem de ansiedade. E creio que o facto de ter engravidado num período calmo, meses após desmame da medicação, também contribuiu.
No entanto e sem nada fazer prever quando o Duarte era bebé e foi para a creche ela voltou. A explicação mais óbvia seria a separação mãe e filho ou o regresso ao trabalho e às rotinas. Mas eu nunca fui aquela mãe de chorar por  deixar o filho na creche, entregava-o em paz às educadoras e lá no fundo sentia vontade de voltar à minha vida anterior, à agitação do trabalho e de voltar a ter algum tempo só para mim. Nunca vou saber porquê mas a primeira semana de regresso ao trabalho foi um misto de liberdade com o regresso do medo. Logo nessa semana entrei em descontrolo e tive que me dirigir às urgências. Os sintomas eram os antigos com alguns novos à mistura, o que só por si gera ainda mais pânico a uma pessoa com ansiedade. O corpo tremia, tinha suores e aquela dor no peito que tantos electrocardiogramas já me valeu. 


Parêntesis: infelizmente o nosso serviço nacional de saúde está muito mal preparado para lidar com ansiedade. Uma pessoa com ansiedade anda muitas vezes a saltar de especialidade em especialidade até finalmente chegar a um diagnóstico. Doí o peito, somos encaminhados para cardiologia, sentimos-nos alienados, somos vistos em neurologia, temos falta de ar, vamos a radiologia. Até chegarmos a um diagnóstico e sermos encaminhados para um psicólogo ou psiquiatra levam-se meses. Meses esses em que andamos a sofrer diariamente. Desorientados entre a espera de exames sem sabermos o que temos e...inevitavelmente a acumular mais ansiedade. As doenças do foro psicológico são ainda muito desvalorizadas e muito, muito mal acompanhadas, a não ser que possamos desembolsar uma batalha de consultas privadas no mesmo mês para chegar a um diagnóstico. Não temos um braço partido, nem uma perna a cair, mas estamos desfeitos por dentro.     

Voltei à medicação que tomei durante 3 anos (incluindo um período de desmame). Desta vez ela veio mais dissimulada. Trocava-me as voltas: não era a dor no braço, não era a dor no peito, às vezes eram "só" picadas da cabeça aos pés, como uma descarga eléctrica, outras vezes "só" a dor no peito, para a pessoa ficar em alerta a pensar que é outra coisa e tornar-se um pouco hipocondríaca. Noutras vezes "só" os suores nas mãos ou os pés gelados. Ela ganha muitas formas. É um novelo enigmático. Parece defender-se quando a tentamos travar. Se já lhe conhecemos os sintomas e os ignoramos surgem novos para nos agitar. É matreira esta bicha que não tem o formato de vírus nem bactéria, não pode ser vista em laboratório, mas faz-se sentir nas salas dos hospitais e nos gabinetes dos psicólogos e psiquiatras.

A ANSIEDADE E A GRAVIDEZ:

Quando agora engravidei do Xavier já estava novamente sem tomar medicação, tal como consegui fazer na primeira gravidez. Felizmente já existe medicação compatível, por isso, ninguém tem, nem deve abdicar do sonho de ser mãe por causa dela. Não deixem NUNCA que ela vos atropele os sonhos. Eu procurei o cenário ideal, de ter o corpo limpo de fármacos, mas senão conseguisse não era ELA que me ia impedir de dar um irmão ao Duarte.
 
É neste ponto que estou. Grávida do segundo filho, com alguns dias de ansiedade, mas daquela controlável e sem precisar de medicação SOS.
E claro, um pouco receosa com o futuro tendo em conta o histórico de quanto tive que me separar do Duarte. Por essa razão é que tenho levantado o tema, para fazer algo por mim nos próximos meses que me ajude a manter o equilíbrio.
 
  [Além da ajuda médica] 

O QUE ME TEM AJUDADO TODOS ESTES ANOS? 
A ansiedade é uma batalha muito solitária, mesmo com ajuda médica o combate tem que partir de dentro de nós e nos piores momentos ela é inimiga do raciocínio lógico. Tolda-nos as capacidades. Prende-nos o corpo e os músculos. Congela-nos. Não é nada fácil começar a dar os primeiros passos de libertação.
 
O caminho que mais vezes faço é contraria-la. Quantas vezes não tive já vontade de sair de um sitio público e não o fiz? Ou de largar o carro numa fila de transito. Outras tantas já fui a conduzir em suores e com dor no braço para o trabalho, não deixo que ela me deixe em casa sua refém. O medo é sempre o mesmo "e se desta vez não for ansiedade?" e a conclusão é sempre a mesma "senão fosse ansiedade já tinha piorado ou evoluído para outra coisa". É lixado, mas nego-lhe os avanços e ela acalma.

Depois sou uma pessoa que raramente está sossegada. Tento manter a mente tão ocupada quanto posso, seja a ler, a praticar exercício físico (adoro Body Balance) ou a fazer trabalhos manuais. Este bichinho que tenho pelo DIY vem muito de mim, de gostar de meter a mão na massa, já era assim em miúda quando fazia roupa para as bonecas ou velas artesanais, mas também de uma necessidade enorme de criar e reinventar objetos para ocupar os pensamentos - é terapêutico. E a juntar a isto tudo ser mãe, quase não me resta tempo para pensamentos vazios. Além do blog, é claro! 
 
Outro foco de ajuda podem ser os grupos privados do Facebook. Existem alguns, a maioria brasileiros, e podem ser um local de desabafo, de partilha de sintomas e dicas de tratamento. Em termos de apoio presencial sinto falta em Portugal de uma associação de apoio a pessoas com Síndrome de Ansiedade, como existe no Reino Unido a Anxiety Uk ou a APORTA (Associação dos Portadores de Transtornos de Ansiedade) no Brasil, totalmente centradas neste problema e não nos problemas do foro psicológico em geral como temos por cá. Pode ser que algum dia ela surja, pode ser que algum dia alguém com mais tempo do que eu a erga.  

No entanto, e apesar de muitos progressos para saber lidar com ela, como referi acima, ainda temo que ela possa voltar quando me voltar a separar do bebé para regressar ao trabalho. É uma caminhada constante e incerta.  
ALTERNATIVAS À MEDICAÇÃO: 

Neste campo não vos posso transmitir a minha experiência pessoal, estaria a mentir, pois nunca fiz nenhum tratamento alternativo, mas estou certa de que é o caminho que vou seguir, pois a medicação só ajuda a camuflar sintomas mas não resolve o problema. Mas posso, no entanto, referir os principais tratamentos que foram partilhados comigo pelas leitoras e com relatos encorajadores de sucesso:

Reiki - www.associacaoportuguesadereiki.com
Hipnose - foi-me recomendada a Dr. Rosa Basto
Psicanálise - www.clinicadamente.com
Acumpuntura

Este provavelmente foi um dos textos mais densos que escrevi aqui no blog, não o quis dividir em dois sob pena de ir para a maternidade nesse intervalo, mas espero sinceramente (a quem chegou aqui ao fim) que a minha partilha sirva para não se sentirem tão sós nesta batalha e sobretudo que nunca se conformem aos sintomas. Podemos e devemos tentar libertar-nos dela, leve os anos que levar. 
 
A todas as mulheres que via mensagem privada quiseram dar o seu testemunho para me ajudar, o meu agradecimento, juntas estamos a ajudar outras pessoas. 

Beijos,
Esta semana as hormonas entraram em desordem total e ando uma lamechas do pior, mais ainda do que já estava. É curioso que na gravidez do Duarte me sentia sempre um osso duro de roer, nada me fazia chorar, às vezes até receava ser diferente das outras grávidas ou ser fria demais. 

A gravidez do Xavier tem sido bem diferente, até o simples facto de ir buscar o Duarte à escola e vê-lo correr para mim me faz chorar, independentemente do número de vezes que o vá buscar. Sentimos a vida de outra forma. Hormonas, nunca mais duvidarei de vocês! Estavam só a brincar às escondidas da primeira vez não era? #RESPECT

Bom e a coisa piorou ainda mais com o Duarte a ficar receoso por perceber que quando a mamã for para a maternidade ele terá que ficar com alguém, provavelmente os avós. Pensámos que esta questão ir ser relativamente fácil pois temos toda a família perto, com quem convive bastante e nunca nos passou pela cabeça que o momento de partida para a maternidade fosse um obstáculo para ele. Mas é. 
Ao conversarmos com ele sobre os cenários possíveis do inicio do trabalho de parto e como é que a mãe e o pai iam fazer as coisas (o mais complicado é se começar durante a noite) percebemos que não só não quer ficar "sozinho" como quer ir connosco para a maternidade! E começou logo de lágrimas nos olhos a dizer isto. Tá bonito. Coitado, consigo imagina-lo a desmaiar no bloco de partos à primeira agulha que lhe passasse pelas ventas. Confesso que não percebo se esta vontade de ir é curiosidade, vontade de fazer parte do momento ou até mesmo ciumes, medo de nos perder ou de nos ver ir embora para receber o mano sem ele. 
O que me doí é saber que não existe solução milagrosa para isto. Ele vai ter mesmo que ficar com alguém, independente das horas ou momento do dia em que eu tiver que ir, acompanhada pelo pai. Só sei que se ele ficar a chorar também eu vou lavada em lágrimas. F...k! Bolas. A primeira gravidez é muito mais fácil neste aspecto, não temos que levar o coração partido em dois. 

Quem mais se viu nesta situação com os filhos mais velhos? Fui apanhada na curva. Ir para casa de um amiguinho poderá ser melhor ideia? Talvez recebesse a ideia com outro entusiasmo. 
Beijos,