Domingo é dia de receber a família para almoçar e, apesar de estar em "fechanço" de boca pós-parto, apetece sempre fazer aquele miminho da praxe para bem receber. 

Esta semana lembrei-me de fazer uma espécie de Crumble integral pois tinha comprado farinha de aveia e farinha integral recentemente e resolvi adaptar. Além disso, tinha algumas maças já muito maduras (e eu só gosto da fruta bem verde).



Ingredientes para a base:
8 maças às rodelas
Sumo de 1 limão para regar
Canela para polvilhar

Ingredientes para a massa:
100 gr de farinha integral
40 gr de flocos de aveia
30 gr de acucar mascavado (na minha opinião nem precisa)
1 colher de sobremesa canela
50 gr de óleo de coco

Preparação da base:

Podem cozer as maças e reduzir a puré ou colocar rodelas no fundo do pirex (eu cloquei as rodelas). Regar com o sumo de limão e polvilhar com canela.

Preparaçao da massa:

Na Bimby (ou copo misturador) juntar todos os ingredientes e envolver 10 segundos velocidade 6 (ajustar o mesmo tempo ao triturador). O resultado é uma massa areada / farelo. Levar 15 a 20 minutos ao forno e está pronto a servir. 

 


Para comer sem (grandes) culpas!

Beijos
 


Hoje venho partilhar a minha experiência pessoal com o refluxo gastroesofágico no bebé e espero poder ajudar outras mamãs com o meu testemunho.


O Xavier começou por ser um bebé muito chorão logo desde a primeira noite na maternidade. Uma experiência totalmente oposta do primeiro filho que quase não chorava e tinha que ser acordado para mamar. O Xavier chorava (de goelas bem abertas) e tinha expressões de desconforto.


Percebi muito cedo que algo o incomodava e não eram necessariamente as tenebrosas cólicas (só lá chegámos mais tarde). No primeiro dia de vida passou a tarde a deitar uma pasta amarela da boca que assumi serem restos do parto como é tão comum acontecer, apesar de ter sido aspirado. Hoje, 1 mês e meio depois, sei que já era um sinal do estômago imaturo dele.

 
 Na primeira semana em casa começámos a ter alguns episódios de bolsadelas, mas desvalorizei, até que pelos 7 dias de vida as ditas bolsadelas começaram a ser cada vez mais frequentes (entenda-se em todas as mamadas) e em grande quantidade e com muita irritabilidade. O leite ora saia pela boca ora pelo nariz, ora era leite aguado que saía em jato, estilo vómito, ou uma pasta de leite talhado, como um queijo fresco. Tinha como padrão ser expulso muito tempo após a mamada, cerca de 1h depois ou mais e o lado mau, quase sempre durante o sono. Consultámos a pediatra e percebemos tratar-se de refluxo.
 

A coisa ficou ainda pior quando tivemos dois episódios muito maus em que ele se engasgou com o refluxo e asfixiou. Ficou roxo. Felizmente aprendi no curso de preparação para o parto (que fiz grávida do Duarte) a fazer a manobra de desengasgamento mas porra NENHUMA mãe devia passar por isso. NENHUMA. E não é por ser mãe de segunda viagem que me soube controlar melhor. Seja qual for o número de filhos, são os piores segundos das nossas vidas. Preferia repetir dores de parto sem epidural.


Das duas vezes em que isso aconteceu foi como se uma nuvem negra ficasse a pairar sobre mim o dia inteiro com uma vontade constante de chorar. Nada me animava. Murchava para a vida nas horas e dias seguintes. A segunda vez foi ainda pior do que a primeira porque o Duarte tinha ficado em casa, estava ao nosso lado e viu tudo. Ficou confuso, fez-me muitas perguntas e tive que me isolar no WC para chorar, libertar tensão e omitir a gravidade da situação perante o meu filho mais crescido. 


Chorei muito nesse dia, ainda mais do que no primeiro pois vi-me a recuar 5 anos atrás e passar por tudo novamente (o Duarte engasgava-se/asfixiava de forma igual a mamar, o Xavier era ainda pior, pois engasgava-se a dormir com o refluxo, o que é muito menos controlável) e não sabia se tinha forças para passar novamente pelo mesmo dilema. 


Precisei de alguns dias (para apagar as imagens da cabeça), noites em branco de mãe e pai a vigia-lo por turnos, e de uma formação em suporte básico de vida (que fiz quando o Xavier tinha 15 dias de vida) para voltar a encontrar paz (e confiança) nas horas de amamentação. Por um lado apeteceu-me fugir à amamentação e introduzir o biberão, por outro, apesar do refluxo, ele tem aumentado bem de peso com a amamentação exclusiva e não há motivos para alterar o plano alimentar dele (até porque é sempre preferível o leite materno em bebés com refluxo). 


E assim aprendi, a custo, o que é o tão falado refluxo dos bebés:

"O refluxo gastroesofágico consiste na subida do conteúdo do estômago para o esófago o que, em conjunto com o ácido gástrico, causa grande desconforto e sintomas como azia, regurgitação, dor ou dificuldade em engolir, tosse ou mesmo vómito. O refluxo pode ser mais ou menos intenso e/ou frequente de bebé para bebé (...) A maior parte dos casos de refluxo nos bebés deve-se à imaturidade de uma válvula localizada à entrada do estômago que, ao não isolar a entrada deste órgão, permite que o seu conteúdo suba para a faringe e boca."

Nos episódios piores ele praticamente não dormia após as mamadas pois enquanto se sentia indisposto não descansava. Isso só acontecia após expulsar os líquidos que ficavam na faringe. Sonos tranquilos também não existiam, eram sempre acompanhados de muitos ruídos de indisposição. A dificuldade para dormir é uma das principais consequências do refluxo.  
 
 
Sempre que o deitava depois de uma mamada começava a deitar todo o alimento para fora. Todo é exagero (ou não) mas uma boa parte dele. E lá ficava eu com uma sensação de impotência. Muitas vezes tinha que voltar a dar mama pois logo a seguir ele ficava com fome. 

Escrevo no passado porque felizmente ele está melhor, apesar de ainda não estar livre.  

O nosso ponto de situação às 7 semanas é este: noto melhorias ao nível do desconforto durante a noite, altura em que faz o maior período de sono (e coincide com a altura do dia em que faz uma mamada mais leve). E durante o dia mantém o refluxo intenso, principalmente no período da tarde, pois é um bebé exigente nas mamadas, faz intervalos curtos de 2h em 2h e como ingere bastante leite também expulsa bastante. Escusado será dizer que levo banhos constantes de leite. #vidademãe
Desde as primeiras semanas que temos aplicado várias medidas preventivas transmitidas pela pediatra e dicas que outras mães me deram e a verdade é que apesar de não curarem, ajudam bastante. 

DICAS PARA AMENIZAR O REFLUXO NOS BEBÉS:


- Mamar ou beber o biberão na posição mais vertical possível;
- Não manobrar o bebé depois das mamadas (se fizer cocó na fralda, fica com cocó na fralda e só se muda mais tarde - dica dada pela pediatra);
- O tempo é amigo do refluxo: após as mamadas, manter o bebé o mais vertical possível durante 40m (conseguem imaginar as minhas noites certo? Ainda hoje continuo a respeitar esta regra);
- Colocar o bebé para dormir com o berço inclinado a 40º (usem almofada anti-refluxo) ou coloquem livros nos pés do berço;
- Dar banho no intervalo maior das mamadas, para evitar a regurgitação;
- Amamentar o bebé com mais frequência e quando estiver mais sonolento (pois vai mamar de forma mais tranquila e ingerir menos ar e leite a mais);
- Não embalar muito o bebé para o adormecer;
- Usar babetes absorventes para evitar mudar constantemente de roupa (e manobrá-los ainda mais);
- Para bebés a leite artificial: consultar o pediatra para aconselhamento sobre o melhor leite anti-refluxo, já existem muitas fórmulas no mercado;
- Controlar o leite ingerido em cada mamada (algo que com leite materno não consigo controlar);
- Para quem faz pumping (amamentação exclusiva com leite materno retirado com bomba), podem usar um espessante de leite materno, a Aptamil tem este que basta juntar no biberão.~

TRATAMENTOS ALTERNATIVOS:


OSTEOPATIA PEDIÁTRICA

Quando partilhei este problema no Instagram tive muitas mães a recomendar a ida a um osteopata pediátrico (especialidade que nem sabia existir até agora). A grande maioria das mães revelou ter notado grandes melhorias nos bebés e outras sentiram que ajudou um pouco. Tenho até um separador com alguns nomes que me foram recomendados nos destaques do Instagram. Amanhã vamos à nossa primeira consulta, não perdemos nada em tentar pois as tardes passam-se de bebé ao colo, ainda muito incomodado, a deitar para fora o que ingeriu e não desceu. 

Deixo ainda aqui um link para um artigo interessante sobre este tema. 

Depois venho partilhar o feedback da consulta.

Beijos

Imagem: Google

Voltámos ao "nosso" Zmar para passar o fim de semana do Dia da Mãe, o meu primeiro como mãe de dois e foi uma ideia maravilhosa. Ainda por cima o tempo brindou-nos com um cheirinho a verão.

 A verdade é que não são precisas muitas desculpas para fazer uma escapadinha até lá pois não é segredo nenhum de que somos fãs. Vamos para lá com o Duarte desde o primeiro ano de vida e não há ano que não nos peça para voltar, sente-se como peixe na água, literalmente. E como estes manos seguem as pegadas um do outro, ou não tivessem nascido ambos a dia 21, a primeira viagem do Xavier também foi até lá. 

Acho que somos um bocadinho como as andorinhas, todos os anos voltamos onde nos sentimos bem com as crias.  






Inicialmente hesitei devido à idade tenra do Xavier (que completou lá as 6 semanas de vida) mas  como conheço tão bem o espaço senti confiança para avançar e não me arrependo nada, se há sitio com infraestruturas amigas das crianças é o Zmar. 

Por outro lado, percebi que é muito fácil viajar com um bebé tão pequeno pois a logística implica pouco mais do que roupa, fraldas e leite materno. Foi perfeito para mudar de ares. Estar em casa sozinha dias a fio com um bebe pode-se tornar psicologicamente desgastante. Por isso, para quem tem bebés pequenos, o meu conselho é que não se privem de viajar e de fazer escapadinhas ou programar férias de verão, aproveitem esta fase em que apesar da privação do sono, eles ainda dão "pouco" trabalho. 

Em pleno sudoeste Alentejano e com as praias mais bonitas de Portugal (pelo menos para mim) ali à porta, este local reúne tudo o que procuro num destino de férias: natureza, simplicidade, descontração, beleza e tranquilidade.
 
Para quem tem filhos pequenos, como é o nosso caso, é o local ideal para fazer férias pois foi projetado para famílias. O espaço é enorme, tem três piscinas (duas exteriores) e uma interior com água aquecida e ondas (perfeita para escapadinhas de primavera), tem bicicletas, buggys e carrinhos para alugar. Existe ainda o espaço Kidz com vários ateliers e serviço de babysitting, um parque de diversões e ainda uma quinta pedagógica onde os pequenos podem participar na alimentação dos animais. Não há dias vazios no Zmar, as crianças adoram e os adultos descansam.




Fui partilhando no instagram a nossa estadia, mas deixo hoje aqui no blog um report mais completo, com fotos e com todas as dicas para aproveitarem uns dias ao máximo no Zmar Ecoresort.

O alojamento:

- Para quem tem famílias maiores, o ideal é ficar num Bungallow T2, são bastante espaçosos e as camas, mesmo até as dos beliches, são grandes. Para quem tem bebés pequenos, todos os alojamentos têm microondas para preparar aquele biberão ou papa fora de horas. Convém levar uma mini banheira ou um redutor para colocar na cabine de duche e despachar o banho dos bebés.  

- Todos os alojamentos têm gel de duche, pelo que não é necessário levar (levem apenas para os mais pequenos e poupem espaço na mala).




As infraestruturas:

- Quase todos os WC´s que circundam a zona das piscinas estão equipados com muda fraldas, o restaurante tem cadeiras da papa e almofadas redutoras para os mais pequenos. 

- A zona das piscinas tem várias espreguiçadeiras para relaxar, apanhar sol ou descansar à sombra, mas também podem optar por ir para a relva e ficar na sombra dos sobreiros com os pequenos.

- No verão, há animação diária no recinto e as crianças adoram. 





As refeições: 

- O pequeno-almoço tem um buffet com muita variedade de frutas, pão, cereais, acompanhamentos e este ano até já tem alternativas biologicas para quem segue um plano alimentar especifico, como o leite de arroz ou soja. Para os mais gulosos há panquecas quentinhas sempre a sair.

- É possível pedir cestas de piquenique e almoçar na zona dos sobreiros, que foi o que fizemos no sábado ou então optar por um brunch no restaurante com um horário alargado das 11h30 às 14h30. 

- O jantar é composto por grelhados de carne e peixe, saladas, legumes, queijos, sopa, sobremesas várias e fruta da época.   

À noite, depois do jantar, é obrigatório olhar para o céu estrelado! 




Da minha experiência como mãe, o que sinto quando lá estou, e talvez seja por isso que adoramos voltar, é que há verdadeiramente tempo para abrandar o ritmo e desfrutar das férias com os filhos, seja nas piscinas ou nos vários espaços disponíveis. Os horários alargados das refeições ajudam a ter alguma liberdade e a programação pensada para as famílias enriquece ainda mais esta eco-experience. 

Deixo uma dica final para quem planeia ir ao Zmar brevemente, se forem sócios ACP refiram isso na vossa reserva, pois dá direito a um desconto de 15% sob a estadia. 

- Este mês também está a decorrer no site uma campanha de -15% para estadias em Maio.

Ah, e cuidado... pode tornar-se viciante :)


Outros reviews (meus) do Zmar que podem interessar:

#VERANEANDO POR AÍ: O NOVO ZMAR!

#DOS SÍTIOS QUE NOS AQUECEM O CORAÇÃO!

#ZMAR: O RESUMO DA ESTADIA EM 1 MINUTO (VÍDEO)!

Beijos,

O Dia da Mãe chega domingo e já sei quem são as 3 meninas que acabam de ganhar 1 perfume Avon Eve Elegance! 
PARABÉNS ÀS 3:
Eugénia Guterres
Joelma Moniz
Vera Ferreira
Beijinhos e um dia da mãe muito feliz! 
Estou habituada a vir aqui para escrever, não costumo deixar parágrafos curtos, mas como o intervalo que tenho é minimo (o sr. Xavier está a minutos de acordar), aproveito para deixar algumas sugestões para o Dia da Mãe, que é já no domingo!
Somos mães todos os dias é verdade! Mas já que esta data nos dá uma desculpa para aquele mimo extra, não deixem fugir a oportunidade, nem que seja para um almoço especial ou... aquela peça que andamos a cobiçar e que iamos comprar na mesma, mas assim temos uma "causa maior" graças ao calendário! Verdade?



Natura | Shein | Fila | Zara | Berska | Booksmile | Wook | SPRINGFIELD | BIMBA Y LOLA | Pedro del Hierro | Vans | Mahrla 
Beijos!

Bom dia!
[suspiro]
Voltar ao blog não tem sido fácil por estes dias. Um recém nascido requer muito cuidado, um recém nascido com refluxo requer ainda mais. Agora sim, percebo o porquê de já ter visto este tema ser levantado em tantos fóruns de maternidade. Por essa razão, temos andado mais activos pelo Instagram, por ser mais imediato.

O pequeno canguru está no comando e ora mama de 2h em 2h ora de 3h em 3h e em 20 dias engordou 1kg e chegou ao primeiro mes com 5.020kg! Um pequeno leitaozinho com refegos.

 Mas não me esqueci de quem é fiel a este cantinho e hoje tenho uma surpresa boa para vocês! 
Por ocasião do Dia da Mãe, que está quase a chegar e que este ano celebro [orgulhosamente] a dobrar, tenho também uma surpresa para as super mães que nos seguem aqui!

Porque todas as mães têm um colo único, um beijo único, um sorriso único e um cheiro único, tenho para oferecer em parceria com a Avon, 3 perfumes Eve Elegance!
Sofisticado, subtil e refinado, Eve Elegance [inspirado no carisma da actriz Eva Mendes] é uma fragância floral que reúne pétalas de jasmim, com rasgo de romã envolvido em madeira de âmbar. Um aroma gracioso para os dias amenos da nova estação.

Eis o que precisam fazer para ganhar:
1. Seguir o Instagram @raquelbabytime;
2. Seguir o Instagram Avon Portugal;
3. Identificar 3 mães no passatempo na publicacao do Facebook;
4. Preencher o formulário abaixo com os vossos dados:


As participações são válidas até às 23h59 de dia 1 de maio e as vencedoras serão apuradas via Random.org e anunciadas aqui no blog no dia 2 de maio. 

Boa sorte!

Finalmente consegui vir aqui ao blog para deixar o relato do parto. Já não me lembrava o quanto um recém nascido exige de nós. O tempo parece que encurta para tudo.

No final da gravidez pensei muito no parto e em qual seria a minha história desta vez. Uns dias acumulei bastante ansiedade, noutros em que estava mais calma desejava que acontecesse naquele momento de "falsa" tranquilidade. Falsa porque a verdade é que nisto da maternidade nunca estamos descansadas e até os termos nos braços e lhe contarmos os dedos todos. Existe sempre uma margem inevitável de insegurança e medo. Como quanto vamos andar de avião, há sempre um pensamento sobre a possibilidade da queda.  

Imaginei, mesmo sem querer pensar demasiado nisso, muitos cenários para o segundo parto. Todos eles sempre ligados ao meu parto anterior que foi muito difícil, levou muitas horas (36h com dores para chegar aos 4 dedos de dilatação) e deixou muitos fantasmas e dúvidas sobre um segundo bebé. O relato está aqui se quiserem ler. 

Ia mentalmente preparada para voltar a sofrer, pelo menos, tantas horas quanto um dia tem. Para mim o conceito de chegar à maternidade e ter o bebé no mesmo dia não existia. Do Duarte entrei a 19 de janeiro à noitinha e ele só nasceu dia 21 ao almoço. Foi exaustivo e doloroso. 

Imaginei, por isso, muitos cenários mas nunca o que vou relatar nas próximas linhas. A verdade é que no primeiro parto quase morri e neste renasci. No primeiro parto sofri dias e tive a vida por um fio no bloco, neste sofri minutos e nem sei se é justo chamar-lhe sofrimento. Foi tão bonito e fácil. Acho que a vida se encarregou de ajustar contas naturalmente e eu recebi este meu segundo bebé com todos os meus sentidos a funcionar e com a maior tranquilidade da vida. 

Já contei no Instagram que passei o dia de véspera com o Duarte. Quis ficar com ele naquele dia para me sentir mais acompanhada e ter a cabeça distraída e não tão focada no parto.  Fomos ao talho, ao dentista, almoçamos no Mac, fizemos compras no supermercado, não parei o dia todo mas porque me sentia bem e já estava convencida que ia passar as 40 semanas.


O Duarte nasceu a 21 de janeiro e já tinha dito muitas vezes que gostava que o mano nascesse a 21 de março. Eu desejava secretamente que isso acontecesse para fazer a graça ao mano mais velho mas por estar entregue à vontade da natureza e não ter sintomas nenhuns quanto mais a data se aproximava mais eu desacreditava. A verdade nesta gravidez é que perto do fim os sintomas de alerta e as contrações de treino que sempre me acompanharam desapareceram. A única coisa que sabia é que tinha o colo curto desde as 35 semanas e 3 dedos de dilatação desde as 38 semanas.


Durante o almoço no Mac o Duarte voltou a dizer "mãe eu gostava que o mano nascesse amanhã" e eu respondi "oh filho, a mamã acha que só por milagre".


O PARTO


Eram 2h50 quando acordei com a bolsa a rebentar. Soube logo o que era, apesar de no meu primeiro parto não ter acontecido. Acordei o Diogo e começamos a despachar-nos para sair de casa. Chamámos o familiar mais próximo para ficar com o Duarte que dormia tranquilamente. Tomei um bom duche, o Diogo também. Enchi o Duarte de beijinhos, num misto de receio das próximas horas e alegria por o desejo dele se estar a concretizar, pegámos nas malas e saímos. 

 [já estava no carro e ainda voltei atrás para ir buscar um pacote de leite, no primeiro parto passei fome e tive uma grande hipotensão, neste quis ir mais aconchegada] 
Cheguei ao Hospital Beatriz Ângelo pelas 04h ainda sem qualquer dor. O resto da bolsa rebentou no corredor a caminho da triagem. Eram 04h20 quando veio a primeira contração com dor, 04h24 quando veio a segunda, 04h26h a próxima (2m em 2m) e fui chamada para entrar.

  A primeira coisa que ouvi foi "não temos vaga para si, vai ter que ser transferida para o Hospital Santa Maria". 
Caiu-me tudo. Sabia que podia acontecer, mas a probabilidade era baixa. Bolas. 

Mesmo assim fui vista como manda o protocolo e já tinha 4 dedos de dilatação. Voltei à sala de urgência num misto de dores e incerteza para aguardar ser chamada pelo médico para tratarmos da transferência. 


As contrações mantinham-se de 2m em 2m e senti verdadeiramente que não íamos ter tempo de chegar a algum lado e que ele ia nascer na A8 ou no Eixo Norte-Sul dentro de uma ambulância e sem epidural. O tempo que no primeiro parto foi um obstáculo, neste parecia escapar-me pela mãos. Estava tudo a acontecer a um ritmo supersónico. 

Pelas 4h45 sou vista pelo médico de serviço e deu-se ma reviravolta. Já tinha 5 dedos de dilatação, quase 6, e oiço as palavras mágicas "você já não sai daqui, vamos ter que tirar alguém do bloco porque tem que entrar já". O Xavier vinha cheio de pressa e vontade, sem tempo para burocracias ou transferências hospitalares.

 
Mudei de roupa, assinei os termos de responsabilidade legais com todas as dores desta vida e fui para o bloco. Nem lhes posso chamar assinatura, deixei lá uns rascunhos pré-históricos. Assim que entrei no bloco, pedi para chamarem a anestesista para administrar a epidural que levei já no limite dos 8 dedos. Não fez o efeito imediato e completo que me fez no parto do Duarte mas senti a intensidade das dores a abrandar. Esperámos apenas pelos 10 minutos especáveis para a epidural fazer efeito para avançar enquanto o Diogo vinha ao meu encontro no bloco. Ele entrou e 5 minutos depois iniciou-se a fase de expulsão com a ajuda espetacular da enfermeira parteira Bruna. Das pessoas mais humanas com quem já me cruzei em contexto hospitalar, o meu enorme agradecimento por tudo. Às 6h20 o meu canguru estava cá fora e foi tudo maravilhoso.  


Desta vez senti as dores e assisti à expulsão, desta vez tive direito a bebé no colo, desta vez o pai cortou o cordão, desta vez beijei, senti e cheirei o meu filho acabado de nascer. Desta vez, não achei que ir ter um filho é sofrer horrores, desta vez, estive consciente de tudo, desta vez, renasci e fiz as pazes com a maternidade.


Desta vez, a mãe quase não teve tempo de levar epidural e o pai nem teve tempo de vestir a bata hospitalar. Desta vez tive apenas uma enfermeira parteira no bloco e não toda a equipa médica em alvoroço.  Desta vez, tive uma enfermeira parteira que teve o cuidado de me perguntar se preferia ser tratada por Mónica ou por Raquel. Desta vez, tive uma enfermeira parteira que quis deixar o cordão umbilical pulsar até ao fim, sem eu pedir nada. 


Desta vez não criei expectativas de nada e a a vida surpreendeu-me. Só quem já passou por um parto difícil e viu a vida por um fio sabe o poder de renascimento de um parto maravilha. 


Este pós-parto está a ser também bem mais fácil. A nível fisico só os Kgs extra me lembram que fui mamã à menos de um mês. Um pós parto 90% mais fácil que o primeiro. A quem ainda está à espera de ter bebé, só vos posso desejar um igual ou melhor. 

Sobre a segunda experiência no Hospital Beatriz Ângelo posso dizer que foi bem mais positiva e que fomos bem acompanhados nas 48h que lá estivemos. As condições dos quartos já sabia serem boas e dão tudo às mamãs (lençol de banho, pensos, cuecas, camisas de dormir, conselhos de amamentação, mantinha para os bebes, etc). Os bebés saiem já com a primeira vacina e com o rastreio auditivo feito. Deixo aqui um beijinho muito especial à enfermeira Nuria que deu o primeiro banho ao Xavier. 
Foram as melhores 2 horas da minha vida.
Renasci ali naquela maca onde acreditei morrer da primeira vez.  


Beijos desta mãe de dois, realizada e feliz!