BabyTime: ##EU TAMBÉM CAI NA “REDE”!
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##EU TAMBÉM CAI NA “REDE”!

07 fevereiro 2019


A semana passada a SIC transmitiu uma reportagem intitulada "A Rede", que relatou a história de uma mulher que usou uma falsa identidade para manipular a vida de um rapaz, o Nuno, e de todos à sua volta. Esta mulher fez-se passar por outra pessoa (sua conhecida) e usava fotos dela para manter o contacto com o Nuno tendo ele ao fim de algum tempo estabelecido uma relação emocional com ela. Quando não conseguiu arranjar mais desculpas para evitar um encontro matou a sua personagem, vitima de cancro. Deixou Nuno em sofrimento e todos à sua volta, mãe e amigos. Já muita tinta correu sobre este tema, entre os que criticam o Nuno por ter ido na conversa dela e os que percebem que existiu aqui uma manipulação ardilosa, da qual ninguém está livre porque todos circulamos online, com mais ou menos intensidade, mas é rara a pessoa hoje em dia que não usa a internet. A Pipoca Mais Doce fez um post muito interessante sobre o tema onde referia que alguém que ela conhecia também já foi vitima do mesmo, não me espanta, bastou-me pensar um bocadinho no tema para perceber que eu também. Isso mesmo.

Ora então, eu que me considero uma pessoa observadora e perspicaz também tenho uma história semelhante, imaginem! Estávamos no ano de 2012 e eu estava grávida do Duarte. Entrei num chat conhecido, que é ponto de encontro de muitas grávidas para tirar dúvidas e acabamos por migrar para um grupo privado de mamãs no Facebook, um fenómeno super habitual hoje em dia e que em 90% dos casos é um meeting point para tirar duvidas, partilhar de experiências  e não tem nada de mal. 

Éramos mais de 80 e todos os dias havia tema de partilha: analises, stock de fraldas, promoções, ecografias, feedback de cremes, sugestões de fotógrafos para sessões de nascimento, que carrinho comprar, etc, etc... tudo o que possam imaginar dentro do universo dos bebés e onde certamente muitas mães que estão a ler isto já estiveram envolvidas ou estão – é normal estar em grupos de maternidade no Facebook ou noutras plataformas, faz parte da maternidade moderna.  

Passaram-se meses e chegou finalmente a altura dos nossos bebés começarem a nascer, todos os dias havia uma a ir para a maternidade, era uma emoção. No meio das mais de 80 meninas, uma delas estava gravida de gémeos e teve um fim trágico – os bebés morreram no parto por negligência no Hospital de Vila Franca de Xira. Fiquei doente com a notícia, eu e as outras meninas, sobretudo as que, como eu, ainda estavam à espera de ir ter os bebés. Não vamos ser hipócritas, o medo do parto existe e este tipo de notícia é tudo o que não queremos ler, é aquele assunto que queremos evitar ao máximo sobretudo se…for uma mentira!!! Uma mentira cruel e desnecessária. 


A noticia caiu que nem uma bomba no grupo, uma tristeza profunda pela M…. que estava de luto por ter perdido os dois bebés. Essa mesma pessoa, dizia trabalhar como assistente na TVI. partilhava fotos das ecografias connosco (que mais tarde viemos a descobrir terem sido retiradas do Google), fotos da gravidez, partilhou fotos do chá de bebé, da decoração, do bolo…tinha barriga (falsa), era tudo real (ou pelo menos parecia). Até tinha uma loja de produtos para bebés no Facebook (ou então fingia que era dela). Recordo-me que chegou a pedir ajuda financeira e houve quem desse. 

Com a noticia da morte dos gémeos, colocou uma foto de luto no perfil e desapareceu. Despediu-se após a dor profunda, disse que queria um tempo a sós com o namorado e para nós fazia sentido. Mas…ficaram algumas peças soltas porque o relato do parto era estranho e alguém que conhecia alguém próximo dela, através de fotografias veio comprovar que não existia gravidez nenhuma (ou se existiu não avançou) e que no Hospital de Vila Franca de Xira não havia registo de óbito dos gémeos. Era tudo mentira e foi tudo encenado por esta cabeça manipuladora. 

Porquê? Nunca chegámos a perceber e a partir daí começou um clima de desconfiança no grupo. Afinal de contas, não nos conhecíamos pessoalmente a todas. Teria problemas mentais? Estaria numa rede de trafico de bebés? Queria burlar alguém no grupo? Planeava raptar algum bebé? Havia muita coisa em aberto e foi a primeira vez (e única espero) que tive contacto os perigos da rede. A partir dai assumi uma postura ainda mais defensiva, e talvez as mamãs do meu grupo de Março de 2018 me achem demasiado distante e menos participativa do que gostaria, mas…gato escaldado de água fria tem medo. Há que ter confiança e cautela. Há que dar um pouco de nós mas não dar tudo. São pessoas excelentes, queridas e prestáveis, mas eu não consigo apagar esse episódio da minha vida.

Do grupo de Mamãs de 2013 guardo a Samanta, a Paula, a Sofia, a Patrícia, a Inês, a Ana e a Telma. Tornaram-se o meu trigo separado do joio. Conhecemos-nos num encontro ainda durante a gravidez e tornamos-nos amigas especiais. Já conhecemos as famílias, os filhos, os tios-avós e por aí fora. Não passamos um dia sem falar no grupo do whats app e são o meu lado bom desta história. São o meu núcleo duro da maternidade e também o meu grupo preferido do whats app. Acima de tudo são minhas amigas e são reais.Somos todas de Lisboa, menos a Paula e talvez por isso, tenhamos conseguido construir uma relação solida a partir dali.

Se as tinha conhecido sem internet? Não, nunca. E por isso mesmo não estou aqui a apontar o dedo aos chats e aos grupos, em quase todos os casos são benéficos, mas apenas deixo o alerta que nunca nos devemos deixar de proteger. 

Quanto à M… nunca mais soubemos nada do seu paradeiro, ainda ponderámos fazer queixa na PSP, mas a verdade é que ninguém se quis chatear ainda mais com isso. Já nos bastava aquela novela mexicana e sinceramente acho que havia ali uma pessoa com falta de suporte e a precisar de apoio psicológico que espero que tenha encontrado entretanto. 

E já que estamos na Semana da Internet Segura de 2019 nunca é demais alertar para estes perigos!


1 comentário

  1. Bem Raquel que história! Fazemos parte deste último grupo 😀 sai e voltei, recordas-te?

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