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#é preciso ter estômago para se ser mãe (e pai)...

31 janeiro 2019


"Achei que o estava a perder... foi horrível"
Foi o que disse hoje de manhã a uma amiga chegada enquanto lhe contava o que aconteceu a noite passada.

O Xavier tem sido o filho dos desafios. Começámos pelo refluxo logo na primeira semana de vida com dois engasgamentos com asfixia, que não gosto nem de lembrar. A vida fica por 1 fio nesses segundos de aflição. Aos 6 meses chegou uma anemia após 1 mês inteiro doente (já despistada e curada) e as febres têm sido o registo dele nos últimos meses, sobretudo desde que começou o colégio (antes disso nunca teve uma febre).

O Xavier entra para as estatísticas dos bebés que fazem febres constantes e intermitentes. Não sei se por ser segundo filho e estar mais exposto a vírus e bacterias, se por este outono-inverno estar a ser particularmente forte no campo das doenças, se por ele ter um organismo com menos defesas que o irmão. Foram os dois alimentados com leite materno até aos 6 meses, tiveram o mesmo principio de reforço de imunidade que é suposto terem com o leite materno, mas têm padrões opostos. 

O Xavier está na escola desde dia 1 de outubro e ainda nunca fez uma semana completa. O padrão é mais ou menos este: vai de segunda a quarta, fica com febre/constipado de 5ºf a sábado. 

Ontem a febre voltou e com ela um novo pesadelo para mim. Estava a preparar tudo para lhe dar bem-u-rom e vestir o pijama e comecei a ouvir o Diogo a chamá-lo “Xavier, Xavier … então Xavier…” percebi no silencio seguinte que algo se passava. O meu coração gelou, larguei tudo em cima da cama e desci as escadas o mais rápido possível. 


O Xavier estava estranho, o corpo estava tenso, o olhar estava vazio, o pescoço esticado para trás e começou a revirar os olhos e a tremer. Numa ausência dele próprio. Não nos seguia com o olhar, não tagarelava, não reagia à nossa voz. 

Liguei para o INEM de imediato com as poucas forças com que me restavam perante a aflição. O Diogo ligou ao mesmo tempo para os bombeiros que ficam a 1 minuto da nossa casa. O Xavier voltou a ele num minuto e meio, mas continuava estranho, com o corpo já despido e apático e o meu medo era que tudo se repetisse. Não sabia o que era, só sabia que não queria voltar a vê-lo assim nunca mais.

Com os bombeiros já em casa, dei o Ben-u-rom e comecei a preparar-me para ir para o hospital enquanto o levavam para a ambulância. Nem me lembro o que vesti, só tenho flash mentais de um corpo que se vestiu sozinho enquanto tremia assustado – é preciso ter estômago para ser mae. Já estávamos na ambulância quando chegaram os médicos do Inem e o viram. Uma dupla impecável de médicos atenciosos que o observaram e pelo descrito me explicaram que o Xavier teve uma convulsão febril (foi o que desconfiei, mas nunca tinha visto nenhuma e gostava de ter o poder de nunca mais voltar a ver, mas não tenho). Administraram-lhe a dose máxima para um bebé do peso dele (500ml) porque ele estava com um febrão. 

O que me foi explicado sobre as Convulsões Febris e que medidas foram recomedadas (partilho para ajudar): 
- acontece em 5% dos bebés;
- ocorre na subida da febre ou em subidas súbitas de febres (mais comum em febres altas):
- é uma resposta benigna ao organismo que ainda é prematuro e não se sabe defender e que em principio não representa outro tipo de doença;
- não é indicativo de que a criança vá ter epilepsia (agora que já assisti às duas coisas posso confirmar que é semelhante);
- não costuma repetir a seguir (só noutro pico de febre);
- quando a criança está a ter uma convulsão febril não devemos tentar contrariar o corpo, devemos coloca-la num sitio seguro, chão, cama…podemos colocar de lado se estiver a espumar da boca…
- devemos ajudar a temperatura a baixar com um banho em água tépida ou toalhas molhadas (não devemos colocar compressas frias pois poderá desencadear um novo aquecimento do organismo por choque térmico);
- devemos controlar muito os picos de febre e combater com medicação de 4h em 4 para evitar que suba tanto, mas ainda assim não há garantia de que não se repita;
- é suposto passar por completo até aos 5 anos.
Hoje ainda não estou bem em mim, já passava da 00h quando me deitei pois passei a noite a ler sobre convulsões febris. É daquelas coisas, não queremos encarar o problema, mas ao mesmo tempo queremos estar preparadas com informação. Por essa mesma razão é que decidi fazer este post, pois sei que muitas vezes encontrar alguém com experiências semelhantes poder ser um canto de conforto. E volto a dizer, é preciso ter estômago para se ser mãe e pai! 

3 comentários

  1. que cena! coração apertadinho por aqui, imagino o seu :( A filha da Joana Gama do blog A Mãe é que sabe também tem convulsões febris e elas até fizeram um vídeo sobre isso: https://www.youtube.com/watch?v=897BABYimt0
    Beijinhos, força e melhoras do piolho!

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  2. Desejo as melhoras rápidas do Xavier e que nunca mais tenham de passar por isto. Não sei o que isso é enquanto mae, mas lembro/me de ver o meu irmão neste estado qd era pequenino. A revirar os olhos, tal como descreves aqui. É assustador. Referes outro ponto que para mim é importante, a escola. A minha Maria está na creche há dois meses e nesse curto espaço de tempo já teve gastroenterite, faringite, conjuntivite... não sei mais o que lhe falta ter. Sendo tudo doenças contagiosas manisfestei-me na creche pedindo regras mais apertadas. Afinal havia conjuntivite na creche e ninguem foi capaz de avisar os pais. Eu se soubesse tinha evitado de levar a minha durante essa semana. Como ninguém me avisou, ela apanhou a conjuntivite de outros meninos que lá andavam. Desde então as regras de segurança na creche estão mais apertadas e nomeadamente nenhuma criança regressa à creche depois de ter estado doente sem declaração médica autorizando a ida à escola. Cheguei a saber que houve casos de conjuntivite que os pais insistiam com à creche que era só vista constipada e levavam os filhos para lá na mesma. Deve ter sido assim que a minha Maria Limão apanhou a doença. Atenção que a Maria foi criança que tomou a rotavirus e a bexero e não teve qq tipo de febre ou reação. Mas vai à creche e vem de lá sempre doente. Passamos sempre os fds fechados em casa por causa disso. Vamos lá ver se o cenário muda agora que as regras estão mais apertadas, depois de eu ter reclamado. Como por exemplo, sempre que houver um surto de alguma coisa, a creche informa os pais. O que não acontecia até aí. Bem sei que não é fácil controlar estes surtos, mas há coisas que os pais e a creche podem fazer para os minimizar.

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  3. Olá Raquel, infelizmente nós também passamos o mesmo com o nosso filho. Ele tinha 18 meses quando aconteceu. Pode ser que foi o susto da nossa vida. Achamos que ele estava que ele estava a morrer. Muito pálido, com os olhos revirados, com os lábios roxos e completamente inerte. A febre subiu demasiado depressa, e provocou a convulsão. Agora tem 7 anos e nunca mais aconteceu. Tivemos que estar sempre muito atentos aos surtos de febre ( mais do que o habitual) para nunca deixar que isso acontecesse de novo. Como se diz por aí: Ser mãe, é a tropa das mulheres. Um grande beijo

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