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COMO A OSTEOPATIA PEDIÁTRICA PODE AJUDAR OS BEBÉS? A PRIMEIRA CONSULTA DO XAVIER

21 maio 2018


Já referi algumas vezes por aqui que o Duarte foi o chamado "bebé fácil". Comia, dormia (muito) e o choro era baixinho como o miar de um gatinho bebé. Não soube o que era recorrer ao Infacol, Biogaia, Colimil, Coliprev, Infacalm e por aí. 

Limitava-me a dar-lhe o Vigantol a mando da pediatra e mais nada. Por vezes até me sentia a alien do grupo das mamãs, tudo a discutir soluções anti-cólicas e eu a ler as gordas sem (poder) dar grandes contributos a esse nível. Outras vezes preferia nem falar para não atrair, como quando os bebés fazem a primeira noite seguida e ficamos caladinhas para não dar azar (quem nunca?). 

O Xavier é o bebé que me apresentou a realidade dos desafios da maioria das recém-mamãs, desde a luta com as cólicas até ao refluxo, que já abordei no post anterior, e que tem sido o nosso maior problema e o que nos levou a procurar ajuda.

Felizmente não estou sozinha e foi através de partilhas de outras mães que cheguei até à especialidade de Osteopatia Pediátrica. Eu, que até me considero uma pessoa informada, desconhecia até agora este recurso. É como diz o ditado: a ocasião faz o ladrão. 

Depois de ler mais sobre o tema decidi marcar a primeira consulta do Xavier com a Dra. Vanessa Faria Lopes, em Lisboa. Percebi nas leitura que fiz que é uma especialidade muito procurada a nível Europeu e que até existem culturas que defendem que todos os bebés deviam ser acompanhados nos primeiros meses de vida por um pediatra e por um osteopata pediátrico.  
 
Porque consultar um Osteopata Pediátrico?

Durante o parto o bebé pode estar mal posicionado ou até mesmo a pressão exercida sobre o crânio pode causar alterações no corpo do recém nascido que quando corrigidas podem melhorar problemas ao nível da digestão, falta de sono, refluxo excessivo, torcicolos, alterações de humor, plagiocefalia, etc.

Isto tanto pode suceder em partos mecanizados, devido ao uso de equipamentos, como fórceps, que expõem o recém-nascido a assimetrias como nos partos normais, pois nesta fase da vida os bebés são praticamente formados por cartilagem. 

No caso do Xavier, pode ter sido a rapidez do parto que não jogou a favor, pois segundo a Dra. o corpo dele não teve tempo de se posicionar bem para a expulsão  (e, se pensar que quando já com 8 dedos levei a epidural ele ainda não estava encaixado e só encaixou 10 minutos antes da expulsão com ajuda da parteira e a minha força, faz todo o sentido) e pode, por isso, ter ficado com algumas "lesões osteopaticas". 

Confesso que não levei grandes expectativas para a consulta pois sei que é um problema comum nos bebés muitas vezes desvalorizado pelos pediatras, mas foi a partilha de tantos casos positivos que me fez também avançar. 

Estes primeiros meses têm sido desgastantes devido à exigência de supervisão do refluxo. Um bebé com refluxo é um bebé que se sente sempre indisposto como quando temos azia e por essa razão é um bebé que chora mais, faz sonos curtos, irrita-se com facilidade, apresenta mais sinais de cansaço e está muitas vezes desconfortável (até mesmo no colo). É um bebé que deita para fora o alimento durante a muda da fralda e por isso, muitas vezes tem que ficar sujo até fazer a digestão (até mesmo por recomendação da pediatra) e que exige muito colo, para estar na posição mais vertical possível. Já para não falar da quantidade de roupa trocada por dia e dos barulhos de desconforto e choro durante o sono.

Efeitos da primeira consulta de Osteopatia Pediátrica no Xavier

Gostei bastante da consulta em si. Para quem imagina uma consulta cheia de manobras ao bebé não é nada disso. Em nada se compara a uma consulta de osteopatia no adulto. Os movimentos que a Dra fez foram sempre muito softs e com poucas manobras. O Xavier esteve sempre deitado na marquesa de barriga para cima a ser mexido lentamente e de forma muito paciente ao nível do crânio, costas e pescoço. Nem sequer chorou.      

Durante a consulta fui sempre informada do que lhe estava a ser feito e no final a Dra faculta-nos o número de telemóvel e pede-nos para dar feedback sobre o comportamento do bebé no dia seguinte. Por aqui, ainda acho cedo tirar conclusões acerca da cura do refluxo com uma só consulta, mas sinto que embora não tenha desaparecido já não está presente em todas as mamadas. Ao nível do comportamento ficou um bebé mais muito mais tranquilo, que associo a sentir-se mais confortável e tem feito mais sestas e durante mais tempo. Por isso, esta semana vamos continuar. Não sai barato mas ver estes progressos compensa tudo.  

Para finalizar este meu relato, aproveito para partilhar alguns sintomas pós-parto que podem indicar que a criança é candidata a passar pela avaliação de um osteopata:

Irritabilidade e choro em excesso;
Sono perturbado e/ou insônia;
Dificuldade de sucção no momento da amamentação;
Muita cólica;
Refluxo constante;
Flatulência além do comum, entre outros indícios.

  Espero que tenha sido útil.

Beijos
 

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