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#GERIR A SÍNDROME DA ANSIEDADE COM A CHEGADA DO PARTO

22 fevereiro 2018



É público que sofro de TAG (Transtorno Generalizado do Pânico) e Ansiedade há alguns anos, mais precisamente desde os 21. Não é fácil de gerir, tenho dias de merda caca, e tenho dias de pessoa normal. Costumo dizer que existem duas ansiedades em mim: a , a que me dá todos os sintomas que não desejo a ninguém e a boa, aquela que todas as pessoas têm inerente às situações mais delicadas, especiais ou exigentes da vida, mas que não faz disparar o coração nem ter a sensação de um enfarte eminente. Sou uma pessoa grata com o que tenho na vida, mas não desejaria viver com ansiedade nem ao pior inimigo. Ela não se vê e é menosprezada por (quase) todos, e há dias em que é difícil ser o rosto feliz escondido na sombra da ansiedade. Acredito mesmo que a maioria das pessoas que convive comigo não faz ideia do real deal da coisa, sou boa a disfarçar e tento ter uma atitude positiva. 

E agora que estou grávida, muitas outras grávidas e "treinantes" perguntam-me como é estar grávida com ansiedade? Como é que ela se gere? 

Como é que se evita que ela estrague a gravidez ou afete o bebé? Como é que ela se chuta para canto perto do parto?

No fundo todas queremos RESPOSTAS e reforços positivos para levarmos os nossos sonhos avante. Eu só as consegui ao ser mãe pela primeira vez. Em primeiro lugar, devemos focar-nos na nossa força interior e no nosso projeto de vida, que certamente não passa por deixar que a ansiedade nos domine. Depois, sempre que tenho momentos maus, canalizo os pensamentos para coisas boas, tomo um banho relaxante, oiço musica de olhos fechados, bebo um chá calmante, vejo roupas online para mim ou para o bebé (essa bela terapia feminina). É importante não alimentar o motor da ansiedade, se ficarmos sentadas a pensar nela, os sintomas não vão parar de chegar. Outra coisa que tenho feito é PROTEGER-ME, algo que as grávidas já tem tendência natural para fazer, como o querer estar só com um numero reduzido de pessoas da sua confiança. Assim, todos os assuntos mais delicados ou chatos que tenho pendentes estou a deixa-los em stand bye para depois do parto em prol do meu bem estar psicológico. 

E a ansiedade pré-parto?

Com a aproximação do parto senti, há algumas semanas e aconteceu igual na gravidez do Duarte, um momento de descarga emocional, de ansiedade e receios em torno parto, a melhor forma, para mim, de a deitar para fora e aliviar os sintomas é mesmo chorar, pois sinto que quando não o faço acumulo e quando choro liberto-me. Mas tenho para mim que este momento marca a gravidez de todas as gestantes e não só particularmente as que têm pânico ou ansiedade, por isso, não deixem que ele cause o efeito bola de neve, falem com a obstetra dos vossos medos e acalmem os corações. 

E o pânico durante o trabalho de parto? 

Posso apenas partilhar que apesar de ter sido demorado e difícil, a ansiedade e o pânico não me visitaram durante o trabalho de parto. Estava tão focada em receber o meu bebé que esse lado mau pura e simplesmente não se manifestou, o meu mindset era outro, por isso, é provável que também não vos aconteça. Temos tanta coisa a acontecer à nossa volta que é como se a ocitocina que nos corre nas veias criasse um escudo protetor. Neste campo, ter uma equipa médica informada e experiente também ajuda e dá-nos tranquilidade.

A gravidez deixa-nos bastantes vulneráveis, sentimentalistas e choronas, e é certo e sabido que situações de stress podem comprometer a evolução e tranquilidade da gestação, por isso, tudo o que puderem deixar para depois, deixem. Aproveitem esta fase única na vida para se focarem nas coisas boas e relativizar ao máximo os restantes temas.  Uma coisa positiva que posso transmitir a quem quer ser mãe e sofre de ansiedade é que na maioria dos casos a gravidez tem um efeito amenizador dos sintomas, e noutros casos eles desaparecem totalmente. Assim uma pessoa com muitos episódios de ansiedade pode passar 9 meses sem os ter. Assim como uma grávida que os continue a ter pode recorrer a medicação, a medicina já está preparada para isso sem acarretar grandes riscos para o bebé, por isso, não vale mesmo a pena deixar que ela nos vença.


Só lamento que a ansiedade seja e continue a ser uma doença fantasma e incompreendida pela sociedade em geral e às vezes até por quem está próximo. Não tem cor, nem feitio. Não se vê e não tem forma. Mais facilmente alguém falta ao trabalho por uma gripe do que por uma crise de ansiedade, e ambas podem ser igualmente arrasadoras. Mais facilmente uma grávida é cuidadosamente seguida por ter contracções muito cedo do que por ter ansiedade de vez em quando "porque as grávidas são hormonalmente instáveis". Nesse campo e no campo das doenças do foro psicológico estamos muito aquém mas havemos de lá chegar. É importante debater.  

Outra sugestão que posso deixar é procurarem partilha de experiências em fóruns. Existem grupos privados de grávidas com ansiedade no Facebook onde se encontra algum conforto e dicas. 

Espero ter ajudado a tranquilizar essas mentes!

Beijos
 

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