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#MÃE, PEDI A LARA EM NAMORO!

14 fevereiro 2017


E porque hoje é o Dia do Amor, escolhi esta data para falar dele, não na vida adulta, mas sim na infância. Tornei público o primeiro namoro do aprendiz há cerca de 15 dias quando a meio do jantar nos surpreendeu com a declaração “hoje pedi a Lara em namoro”. Nunca fomos aqueles pais de andar a perguntar se já tinha namorada ou qual era a miúda mais gira da turma, já que para ele tudo girava à volta do melhor amigo e até me irrita um bocadinho que tentem incutir namoros às crianças, como se fosse obrigatório. Para mim, a regra é simples: cada criança tem o seu timing. Até que, de repente, o nosso “não assunto” virou assunto lá em casa, o Duarte assumiu uma namorada e fala nela a toooda a gente – avós, tios, pediatra, bisavós, educadora – conclusão: está “in love”!

Eu já tinha desconfiado que algo estava diferente nele, antes nem sequer sabia dizer o nome das miúdas da turma e de há uns tempos para cá mal se cruzava com "A" Lara à chegada ao colégio os olhos dele mudavam e a expressão dela também, como nos filmes, quando entra em cena aquela música para criar clima, estão a ver? Ainda ontem de manhã me senti “a mais” na sala enquanto lhe vestia a bata e eles trocavam olhares.

E nós? Nós não incentivamos, nem proibimos, afinal de contas, ele está a explorar os primeiros sentimentos de carinho e afeto por outrem e segundo os pediatras “é absolutamente normal e aceitável que a criança represente o papel de namorada ou namorado, assim como representa outros papéis. Os adultos não devem fazer juízos de valor sobre esta situação.”

Em casa opto por não falar muito no assunto, só quando ele fala dela, pois não quero, por um lado supervalorizar o tema nem, por outro, banalizá-lo. No entanto, no domingo estivemos a fazer pinturas com decalques e ele quis fazer um coração e uma mão para dar hoje à Lara. Claro que o meu coração de mãe derreteu e achou fofinho ele querer demonstrar o carinho que tem por ela, assim como ainda no decorrer do fim de semana nos pediu para comprarmos uma flor para oferecer à bisavó porque “ela fica feliz”, mas temi que os pais dela achassem que estávamos a querer introduzir os padrões de uma relação adulta na deles ou a dar demasiada importância ao tema – quando não é, de todo, o caso! 

Li sobre o assunto que “a situação deve ser compreendida a partir do contexto na qual se apresenta, ou seja, o infantil. Não se pode entrar no mundo da criança e trazê-la para o universo adulto, pois ela não tem ferramentas para isso” por isso, para não baralhar a mente dele e proibi-lo de levar o miminho que lhe fez com tanto gosto e cuja explicação não ia entender, e porque acho que não devemos priva-los de demonstar sentimentos, decidi deixá-lo levar hoje a pintura. Apenas falei com a mãe da Lara em antecipação sobre o tema. Somos ambas descontraídas, o que facilitou a situação e fiquei mais descansada. É um namoro de miúdos sim, vale o que vale, mas assinala a etapa em que “a criança começa a reconhecer no outro algo especial, a perceber maior afinidade com um colega e, desta forma, desenvolver sentimentos de carinho e afeto” e é por isso, para os pais“ uma excelente oportunidade para ajudar os filhos a entender sentimentos, assim como valorizar e respeitar o outro, como um ensaio para a vida adulta”.

Por outro lado, hoje é o dia em que ele assinou o nome dele pela primeira vez. Eu escrevi num papel e ele imitou - e bem! Os meus olhinhos lançam confetis a olhar para isto! 


Fonte: http://bit.ly/2kjbce8 

Feliz Dia de S. Valentim!


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