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#F*CK RÚSSIA – MAIS UMA LEI NO CAMINHO DA DE(S)MOCRACIA!

09 fevereiro 2017


Não sei para onde estamos a caminhar, mas certamente não é para um mundo melhor. O meu coração palpita sempre que conheço projetos e pessoas inspiradoras, acredito por milésimos de segundos que ainda temos chances, mas depois desço à terra e interiorizo que elas são uma pequena gota neste oceano do poder e da de(s)mocracia. 

36 mil mulheres são agredidas por dia pelos companheiros na Rússia, 26 mil crianças são espancadas pelos pais por ano e 14 mil mulheres são mortas pelos maridos ou familiares todos os anos. Tudo isto na Rússia, onde o presidente Vladimir Putin assinou esta semana uma lei que descriminaliza alguns atos de violência doméstica. Ou seja, a olho nu tudo é permitido, desde que a pessoa agredida não vá parar ao hospital. Só nesse caso é que a agressão é considerada "crime". Sim, crime entre-aspas porque a punição é com multa e não com prisão. 

Em 2013, uma reportagem da BBC chamou-lhe o pesadelo silencioso das donas de casa da Rússia. Um software on line que compara a violência na Rússia face os EUA aponta 15 assassinatos na primeira vs 5 na segunda. Estão a ver a diferença abismal geográfica e populacional que existe entre os dois países não estão? Nem precisamos ir mais longe. 

Não sei se fico mais perplexa pela entidade máxima do país ter concordado com o decreto de lei (acho que não pois todos conhecemos a “peça”) ou se por ele ter sido previamente aprovado pelas duas câmaras do parlamento com 385 votos a favor, um voto contra e uma abstenção.  Desconfio que os últimos 2 já devem ter levado na tromba e preferiram não votar e os outros 300 e tal são os durões que acham por bem usar a violência quando a mulher traz o iogurte errado do supermercado ou deixa tingir a sua camisa preferida na máquina de lavar roupa.

Estas 387 pessoas envolvidas são o retrato, ou pior, são o padrão da sociedade Russa que defende o autoritarismo nas suas relações familiares e sociais. Isto explica, sem dúvida, a frieza do povo russo onde "na cultura familiar tradicional a relação entre pais e filhos é baseada na autoridade e no poder dos pais ", segundo Yelena Mizulina, a deputada conservadora que apresentou este projeto de lei. 

E o que está a fazer este país em pleno séc. XXI? A promover a CONTINUIDADE da violência no lar e do autoritarismo que NUNCA trouxeram nada de benéfico à humanidade. REPITO - NUNCA!

Com esta lei, os atos de violência doméstica que não causem ferimentos graves, não obriguem a vítima a procurar tratamento hospitalar ou que não a obriguem a faltar ao emprego ou à escola, são tidos como contraordenações, como quando passamos o traço continuo na estrada e somos multados ou estacionamos em cima do passeio, estão a ver? Bater em outrem passa a ser uma contraordenação. Isto nem sequer é humano. Em Portugal a violência contra animais é crime, na Rússia o marido bater na mulher ou vice-versa é uma contraordenação! Mas que contraordenação? Ninguém bate em ninguém sem querer, ao acaso, inocentemente! Niguém que ousa bater em outrém e que usa a força para se impor altera comportamentos agressivos com base numa punição tão medíocre, básica e descontextualizada. 

Segundo este novo modelo de de(s)mocracia Russa, que em nada defende as mulheres e as crianças, que infelizmente continuam e continuarão a ser as maiores vitimas deste tipo de violência, as autoridades "não querem que as pessoas sejam presas por dois anos ou consideradas criminosas para o resto da vida por causa de uma chapada". Primeiro, uma agressão raramente se baseia em apenas uma chapada e segundo, arrisco a dizer que 90% das vezes não leva as pessoas para o hospital, mas  garanto sem qualquer estudo que em 100% delas destrói as vitimas por dentro e corroí-lhes a alma. 

E o lado psicológico? A destruição da sua identidade como ser humano? E as crianças do amanhã? Os maridos e as mulheres do amanhã? Vão continuar a ver a violência como algo cultural e não humanitariamente grave. Isto é grave, muito grave! 

Uma lei feita por tiranos para defender tiranos! 
Uma lei feita por cobardes para defender cobardes!
Quantas mais mulheres e crianças terão de gritar em silencio?

Bom... tenho de parar por aqui porque a minha pálpebra começa a tremer só de pensar muito no assunto!

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