0

#A CONSULTA E A CAPACIDADE INATA DAS CRIANÇAS NOS ENVERGONHAREM!

02 fevereiro 2017


Então ontem lá fomos à pediatra, não a víamos há quase um ano, o que é bom sinal, por isso, nem me vou alongar para não agoirar. 

A consulta começou lindamente, com o Duarte sentado a fazer pinturas e colagens enquanto respondíamos às perguntas da praxe: “come bem?”, “gosta de sopa”, “o que come ao pequeno-almoço?”, “melhorou dos sangramentos do nariz?”, “como estão os intestinos?” - bla, bla, bla, nada que vocês mães nunca tenham experienciado. 

Finda a primeira parte de puro confessionário para os pais (não mentimos em nada: co-sleeping, desfralde noturno, biberão matinal, etc) chegou a parte do interrogatório ao Duarte para avaliação do desenvolvimento cujas respostas dependem do mood dele que é sempre uma incógnita. Basicamente os dois moods do Duarte são A) adorar a pessoa e falar incansávelmente (faz-me lembrar alguém) B) ignorar a pessoa e fingir que nem está a ouvir (dava jeito em alguns dias). Pois eis que se soltou, escolheu o caminho A, meteu a primeira e vai de contar tudo sobre a vida dele. Disse à Dra. que tem um melhor amigo chamado Duarte Mateus, uma namorada loira de olhos azuis, que já comprou o fato de carnaval do Batama (Batman), pelo meio disse as letras que sabe, contou até 50 com algumas falhas (tipo saltar do 35 para o 38), que é do FC Porto, que gosta do Casilhas, que leva livros para a escola, enumerou todas as equipas da I Liga de Futebol Nacional e ainda falou de leões marinhos (??!). Parecia ele que estava numa prova oral a despejar todos os seus conhecimentos. Até aqui tudo bem, um miúdo desenrascado e tagarela, a deixar os pais orgulhosos do seu comportamento simpático e afável.

Terceira parte da consulta – auscultação, medição, peso, avaliação corporal – toda uma festa! Mal se apanhou despido achou por bem começar a manipular as “partes”, qual macho latino cheio de testosterona aos 4 anos, algo que nem faz muito em casa (apenas umas vezes no banho). Mas já que era para avaliar a condição física, algo lhe disse que tinha que mostrar todas as suas proezas e passou o resto da consulta “alegre”. Quando após a medição e a pesagem a “alegria” hum… esmoreceu, soltou um “hey, quem cortou a minha pila?”, tal era o drama do objeto ter encolhido! Risada geral na sala com a Pediatra a justificar ironicamente ter não utilizado nenhum objeto cortante e um misto de vergonha nossa porque não é habitual ele ser tão descarado, nem na escola (sem queixas), nem em casa. Porque será que eles têm sempre esta capacidade inata de nos envergonhar? 

Sobre este tema, do qual já falei aqui, a Pediatra partilha da mesma visão: deixa-los explorar livremente o corpo em casa e ensiná-los a não fazer isso em público ou na creche com as meninas. 

Mesmo assim ainda saímos de lá parabenizados pelo ser que estamos a criar, menos mau. Ah e com a consulta de oftalmologia pediátrica marcada!

Conclusão: 1.05m e 16.5kg de aprendiz saudável e tão meigo e educado quanto safado! 

Sem comentários

Enviar um comentário