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#COOL(ABORAÇÕES) | PSICÓLOGA IRINA VAZ MESTRE | MANIFESTO DE ANO NOVO: 8 DICAS PARA UMA PARENTALIDADE MAIS CONSCIENTE!

30 dezembro 2016

Texto: Raquel Rodrigues
Colaboração: Irina Vaz Mestre, Psicóloga e Autora do Blog Voltar à Estaca Zero

Imprimam e recortem aqui para por no vosso frigorífico ou secretária: https://mab.to/8h8ULGjKz


Os pais educam – e mandam. Os filhos obedecem. É este o modelo hierárquico a que fomos habituados, mas esta não é a forma mais acertada de exercer a parentalidade. A família tem de crescer em conjunto”.

Shefali Tsabary, Psicóloga Clínica pela Universidade de Columbia


Somos os pais do séc. XXI que cresceram na geração de “os pais mandam, os filhos obedecem”, “eu sou teu pai eu é que mando”, “come a sopa ou levas uma palmada” e não é preciso pensarmos muito para percebermos que esse não é o modelo mais funcional, nem o que cultiva mais conexãoFelizmente, sabemos hoje em dia que não estamos a educar robôts mas sim os seres humanos do amanhã com a sua própria individualidade. Não existem fórmulas certas nem mágicas para educar filhos perfeitos, é preciso crescermos em conjunto e fazê-lo passo a passo. É preciso saber escutá-los, questionar os comportamentos, conhecê-los e orientá-los. 

E porque uma das Palavras do Ano de 2016, da Porto Editora, cuja votação ainda está a decorrer, é #Parentalidade, eu e a Irina Vaz Mestre, duas mães reais com a experiência real da maternidade e os seus desafios, decidimos que o nosso Manifesto de Ano Novo seria dedicado a pais e filhos, por uma Parentalidade mais Consciente. Se quiserem, podem votar aqui

Mas afinal o que é a Parentalidade consciente?

Para os que acham que é “só mais uma” corrente educacional, a parentalidade consciente é, como o nome indica, uma forma de estar conhecedora perante a educação, começando em primeiro lugar pelo autoconhecimento. Não nascemos ensinados nem preparados para ser pais, vamos adquirindo skills pelo caminho e conhecermo-nos faz parte do processo. 

Todos temos ideias pré-concebidas antes de sermos pais, “não vou permitir que gritem no restaurante”, “os meus filhos não vão fazer birras no supermercado”, “as crianças gritam porque não têm educação em casa”, etc.  Esqueçam, a maternidade é feita de fases e descobertas, desde que nascem até aos os terrible two, ao autoritarismo dos 3 anos, até às crises de adolescência e por ai em diante, e nós como pais temos que as acompanhar e o desafio é fazê-lo da forma mais consciente possível, levando-nos a uma maior felicidade e ligeireza na arte de educar.

Parentalidade Consciente é reconhecer que não somos pais perfeitos, mas que podemos agir enquanto educadores de forma alinhada com os nossos valores essenciais.  Um bom exercício para perceber se estamos a agir de forma correta com os nossos filhos no dia a dia e se os educamos de acordo com os nossos valores é, por exemplo, analisar se a nossa forma de educar está alinhada com a nossa intenção enquanto pais (mãe/pai).

Parentalidade Consciente é estarmos abertos a trabalhar a presença e cultivar a conexão com os nossos filhos. É questionarmos-nos sobre o porquê dos seus comportamentos, é orientar em vez de mandar para o canto da sala pensar, é ouvir e falar ao invés de bater para parar más atitudes. É termos consciência de que nós somos o seu maior exemplo.

E porque, como a maioria, ainda estou em fase de autoconhecimento e a dar os primeiros passos, pedi ajuda à Irina, que tem feito formação nesta área, para juntamente com este Manifesto para 2017, nos deixar dicas e estratégias para lidar com tudo aquilo com que os pais e as famílias reais se deparam.

(Irina, a palavra agora é tua)

Quais os benefícios da parentalidade consciente?

Na minha opinião, o maior benefício da Parentalidade Consciente assenta na conexão que conseguimos estabelecer com os nossos filhos, porque o que se pretende acima de tudo é olhar para a criança em todas as suas vertentes (emoções, opiniões, necessidades e desejos) e não apenas para o seu comportamento e para a forma como o podemos corrigir. Focamo-nos em entender e não em corrigir comportamentos, e isso leva a que se desenvolvam relações fortes, que promovem o desenvolvimento saudável de todos os que estão envolvidos neste caminho. 

Quais são as principais armadilhas da educação? 

Acho verdadeiramente que a principal armadilha da educação, e enuncio-a porque também eu já caí nesta armadilha (e confesso que ainda tropeço nela, em momentos mais desafiantes da minha maternidade), é a procura de técnicas e métodos que funcionem. Queremos encontrar o método eficaz para corrigir os comportamentos desafiantes dos nossos filhos. E ocupamos o nosso tempo a aplicá-los. E quando aplicamos métodos, focamo-nos no método e nos seus procedimentos e não na criança. E esta é, sem dúvida, a maior armadilha: focarmo-nos no comportamento a eliminar em detrimento de nos focarmos na criança que está a manifestar o comportamento.

Como podemos começar a aplicar a parentalidade consciente em nossa casa?

Em todos os acompanhamentos que faço, seja acompanhamentos individuais ou workshops, oriento sempre os pais a definirem, em primeiro lugar, as suas intenções. Ajudo-os a pensarem na forma como querem assumir o seu papel de mãe ou pai. Refletir sobre as nossas intenções é o principal ponto de partida para uma Parentalidade Consciente. As intenções servem de guia quando temos dúvidas na forma de agir. Quando estamos inseguros, podemos sempre voltar às nossas intenções e interrogarmo-nos se o que estamos a fazer está alinhado com o que definimos.  A resposta a esta pergunta reorienta-nos no caminho que queremos seguir.

Desejamos a todo(a)s um Feliz 2017, repleto de amor e de atos e palavras conscientes.

Beijos nossos,

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